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FERVO.com.br .:. Transgêneros - Matéria

Identidade de Gênero: O homem transexual - Parte II

Homens que vivem aprisionados em um "corpo feminino"

Os Homens Transexuais (transexuais que nasceram com o sexo feminino) desejam adequar o seu corpo biológico a sua identidade de gênero. Mas nem todos fazem ou podem fazer isso, por inúmeras razões. Seja porque é ‘comum’ que determinadas "mulheres", mesmo as heterossexuais, não possuam caracteres sexuais secundários exuberantes, seja porque a própria operação de transformação é mais complicada para os Homens Transexuais (‘Mulher para Homem’), e também, principalmente em nosso país, porque não têm informação e nem dinheiro.

É possível que os Homens Transexuais estejam em nosso meio vivendo como "mulheres heterossexuais" conflituosas, solteironas, religiosas, travestis ou lésbicas "mal resolvidas". "Aquelas"(es) que corajosamente partem para a mudança de sexo encontram barreiras quase intransponíveis.

A cirurgia para transformar "uma mulher" num homem de certa forma deixa a desejar, e o resultado nem sempre é satisfatório. (Esteticamente fica perfeito, mas, tem dificuldade de fazê-lo ficar ereto ‘sem falhas’, pois quando se consegue o mesmo não tem sensibilidade a ponto de fazer com que o Homem Transexual chegue ao seu clímax durante uma penetração, além de outros ‘contras’ que serão explanadas abaixo no item IV). A grande dificuldade aqui está no fato de que não se trata de adaptar um órgão (removendo o que não interessa) e abrir um canal, mas sim de fecha-lo e implantar um neopênis. Além disso, uma equipe de cirurgiões precisa remover todos os órgãos femininos internos, como útero, ovário e trompas.

Para construir a bolsa escrotal é utilizada a pele dos grandes lábios, e os testículos, pequenas bolas de silicone, são colocadas nessa bolsa. Para construir um neopênis, é utilizada a pele do abdomem. Essa pele vai revestir uma prótese em forma de haste flexível. No entanto, esse órgão não tem sensibilidade erótica. O clitóris é preservado como forma de garantir algum prazer durante a relação sexual.

Apesar de toda dificuldade, os Homens Transexuais operados costumam se confessar mentalmente felizes. O prazer sexual, não vem só da região genital (que é conseguido através do clítores que é preservado), mas também de todo o corpo e do psiquismo. Tem Homens Transexuais que não operam pois sentem-se felizes com o aumento do clítores (que pode chegar mais ou menos a uns 6 cm devido a ingestão de hormônios masculinos), além de ficar semelhante a um pênis ereto, quando ele está excitado e consegue chegar facilmente ao clímax, seja sozinho por meio da masturbação ou acompanhado durante uma relação íntima afetiva sexual.

Os Homens Transexuais, assim como as Mulheres Transexuais, quando se decidem pela operação, na realidade não estão preocupados exclusivamente com o prazer erótico genital. O que ele(a)s buscam é retirar e implantar em seus corpos algo que sobra e algo que falta. O principal conflito está entre o seu gênero biológico e sua identidade de gênero.

Eles querem completar, com a operação, o desenho do próprio corpo que tem na cabeça, sendo que, o funcionamento satisfatório ou pouco satisfatório do novo órgão (para os homens transexuais) é uma questão quase secundária.

Antes de chegar à cirurgia os Homens Transexuais devem passar por um completo acompanhamento médico e psicológico. Esse acompanhamento (e estudo) deverá incorporar à equipe, além de outros profissionais, um ginecologista, um endocrinologista, assistente social, etc. A psicoterapia é fundamental para confirmar o diagnóstico e para que essa pessoa tenha uma noção exata das dificuldades que certamente terá de enfrentar (no mínimo dois anos)., onde paralelamente começa o tratamento hormonal (endocrinológico).


Cirurgia: genital feminino para genital masculino

Técnica: É um grande desafio a construção de um falus, seja em defeitos congênitos, adquiridos ou redesignação cirúrgica de um genital feminino. Alguns centros internacionais abandoraram completamente essa prática, insatisfeitos com a morfologia e funcionalidade conseguidas.

As etapas cirúrgicas são múltiplas, trabalhosas e incluem:

Remoção das Áreas Contraditórias: Consiste em histerectomia total, ‘o’oforectomia, retirada da mucosa vaginal, prolongamento do comprimento uretral para um nível superior (utiliza-se a mucosa dos lábios menores, para a uretra fixa no púbis) e união mediana dos lábios maiores para fechar o intróito vaginal, além de outras cirurgias, como remoção subcutânea das mamas (mastectomia), aumento cervical da cartilagem tireóidea,etc

Construção de um Tubo Cutâneo: A maioria usa a região inguinal ou abdominal. Podem-se utilizar retalhos miocutâneos da coxa, baseados no músculo grácil ou miocutâneo do músculo retal abdominal. Os retalhos cutâneos ao acaso, multipediculados e mobilizados por "reptação", dependentes de inúmeros tempos cirúrgicos, foram abandonados. Os retalhos microcirúrgicos, principalmente o "retalho chinês", que pode incluir parte do osso radial, apresenta indicações limitadas pelas dificuldades próprias da microcirurgia vascular e nervosa, além das seqüelas no antebraço. Os tubos de pele apresentam morfologia inadequada para um neopênis, tais como cor, presença de pêlos, ausência da glande, ausência de sensibilidade (excetuando os microcirúrgicos com anastomose nervosa) e presença de tecido adiposo espesso, além da dúvida na escolha da área doadora.

Neo-uretroplastia: A passagem de urina no interior do tubo cutâneo é um desafio, principalmente pela dificuldade na escolha do seu revestimento: pele sem pêlos, mucosas orais ou vesicais, enxertos venosos que não se absorvam, além das anastomoses ao meato urinário natural, com freqüentes fístulas, estenoses ou dilatações saculares. Embora sujeitos a insucessos, os pacientes exigem que a micção se faça pela extremidade fálica. O emprego de enxertos ou retalhos cutâneos para construção da neo-uretra implica vários tempos cirúrgicos.

Ereção: Esse mecanismo indispensável ao neofalus também não está plenamente resolvido. Enxertos ou retalhos compostos de cartilagem, osso, próteses de silicone etc. têm inúmeros inconvenientes: absorção, encurvamentos, infecção, escaras, extrusões, intensa mobilidade por falta de fixação ao púbis e rigidez excessiva.

Bolsa Escrotal e Gônadas: Os lábios vaginais que ocluem a vagina podem ser expandidos e receber próteses testiculares de silicone.

Casuística: Dos casos operados, foram utilizados preferencialmente o retalho inguinocrural e o retalho miocutâneo do músculo retoabdominal, não sendo completadas as etapas para o estabelecimento de um suporte eretor do neopênis em nenhum paciente.

 

Adão, Eva e os outros: "Matéria de Bia Labate"

Publicado com a autorização da autora e da Editora TRIP . Este artigo é a íntegra do original escrito por Bia Labate, que deu origem ao artigo publicado na Revista Trip Para Mulher - TPM, ano 01 num 6 de Novembro de 2001.

Benvinda

"Sabe aquela sensação de que você não vai morrer no mesmo corpo no qual nasceu?" Repeti a pergunta silenciosamente na cabeça, tentando compreendê-la. - "Não", respondi. - "Isto porque você não é transexual, se fosse, saberia". Foi assim que conheci, na Suíça, o primeiro transexual "de verdade" da minha vida. Mal sabia eu que em pouco tempo estaria refém do assunto: uma fenda se abrira em minha mente. O que haveria neste universo, já que sua porta de entrada parecia um espiral a embaralhar o princípio que nos é mais caro, o sistema de classificação binário de gênero Homem/Mulher?

Josh (nome fictício) nascera "menina" na Alemanha. Conheci-o magrinho, maçãs avermelhadas, barba por fazer e umas pequenas entradas na cabeça, típicas daquele que chega na casa dos 30. Um homem delicado, talvez gay, mas sem dúvida um homem. Não sei porque me elegeu como confidente, já que não era um transexual assumido. Não importa. Me contou que desde criança sentia um enorme estranhamento com relação ao seu próprio corpo e também com o mundo das meninas. Chegou a recusar uma bicicleta dos pais: ou a de menino ou nada! Achou que quando crescesse a sua vagina se transformaria naturalmente num pênis. Os problemas se intensificaram na adolescência. Não tinha muito apetite sexual, talvez porque não sentia que sua genitália, de fato, lhe pertencesse. Sentia-se com alma de homem, preso num corpo de mulher.

Com 23 anos, decidiu tomar hormônios masculinos. Em três meses sua voz engrossou. "Já me senti aliviado", lembra. Pêlos cresceram no corpo; a musculatura mudou. Em menos de um ano fez a operação para retirada dos seios (mastectomia). Não quis fazer a cirurgia da retirada do útero e do ovário (histerectomia) porque com o consumo dos hormônios deixou de menstruar.

A ingestão dos hormônios também fez crescer um minipênis na região do clitóris. Não dá para utilizar numa penetração mas pode propiciar um orgasmo para si. Josh, assim como a maioria dos transexuais mulher para homem, optou por não fazer a faloplastia, a cirurgia de construção artificial do pênis. Esta tecnologia ainda é bastante limitada.

O neofalo pode ser feito de várias maneiras. A mais comum é: o micropênis que surge com a terapia de hormônios é encompridado com pedaços de tecido (do antebraço, da própria vagina etc). No interior, coloca-se uma prótese de silicone. Este pênis não tem a capacidade de ereção. Fica num estado definitivo, já moldado com condições de penetração, medindo de 10 a 12cm. No momento do ato sexual, o indivíduo encaixa-o com a mão; quando não estiver usando-o, pode amarrá-lo ou dobrá-lo entre as pernas (o mesmo vale para um homem qualquer que tenha feito a cirurgia de implante). Ou seja, tem um caráter mais estético - importante para a conquista da dignidade e auto-afirmação da pessoa - do que anatômico ou funcional. Imagine uma caneta bic que você envolve com uma pele: ela fica rígida por fora, mas não tem base de sustentação no púbis - e nem sensibilidade para o homem.

Opções alternativas em desenvolvimento incluem uma técnica para inserir uma prótese direto no osso ou um diagnóstico a partir dos 10 anos. Nesse caso, o tratamento com hormônios a longo prazo permitiria a criação de um pequeno pênis funcional. Com o tempo, o adolescente colocaria uma prótese de silicone para compor os testículos.

Josh contou que um amigo seu também transexual fez cinco operações e até o momento não conseguiu um bom resultado. A operação completa reconstrói também a uretra, que acaba na ponta do pênis artificial, tal qual no membro natural. Desta forma, pode realizar uma experiência autenticamente masculina - urinar de pé - aquela marca registrada na tampa da privada que costuma irritar as mulheres. Mas o seu amigo foi vítima das aventuras da medicina e ficou pingando intermitentemente.

Com a falta de uma técnica cirúrgica adequada para os transexuais masculinos, o seu sofrimento pode ser ainda maior do que o das transexuais femininas (homem para mulher). Os primeiros têm que viver entre a escolha de "ser mulher", correr o risco de implantar o pênis artificial ou ser um homem castrado.

 

Por Samara Sommer's
"Mulher Transexual"

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29/12/2001

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