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BAREBACK PARA ADULTOS
Transar sem camisinha? Para muitos, esta pergunta soa como a Dona
Morte batendo a porta e pedindo para entrar, para outros esta é
um opção diante do padrão estabelecido. Estes são aqueles que praticam
o bareback. Eles são muitos. Estima-se que haja sete milhões de
praticantes de bareback nos Estados Unidos e dois milhões na Europa.
No Brasil não há estimativas e a prática é mais velada ou feita
em grupos fechados. Pesquisados os sites de busca Cadê?, Altavista
e Yahoo Brasil, não foi encontrada nenhuma home-page dedicada a
este público no país. A maior incidência de casos de AIDS entre
homossexuais jovens reascendeu a discussão sobre a prática e chicochicote
fez uma pesquisa para trazer novos dados.
A decisão de quando e com quem usar camisinha é individual, isto
todo mundo já sabe, mas o senso comum diz que devemos usar camisinha
sempre. O praticante do bareback é que decidi se nunca vai usar
preservativo, se não vai usar com o namorado ou parceiro fixo ou
se não vai usar exporadicamente. Pode parecer incrível aos primeiros
olhos, mas alguns praticantes não usam camisinha com o claro objetivo
de se contaminar com o HIV. Em salas de bate-papo destinada a este
público (há salas na dal.net) foram encontradas pessoas que anseiam
contrair o vírus pois isto lhe daria um maior "status" dentro do
seu grupo de bareback.
O pessoal do bareback que "compartilha" a valorização do HIV possui
uma linguagem própria:
Barebacking Parties
(Festas de Barebacking): Sexo em grupo sem camisinha
Bug Chaser (Inseto
Perseguidor de Problemas): HIV negativo querendo ser HIV positivo
Gift Givers (Doadores
de Presentes): HIV+ querendo contaminar HIV-
The Gift (O Presente):
o HIV
Conversion Parties
(Festas de Conversão): festas onde os Bug Chaser são convertidos
em Gift Givers (daí vem o "status")
Russian Roulette Parties
(Festas de Roleta Russa): Festas onde existem pessoas HIV+ e HIV-.
Bug Brothers (Irmãos
de Problemas): Grupo de pessoas HIV+
Charged Cum ou Poz
Cum (Ejaculação Carregada): Sémem com HIV
Fuck of Death (Foda
da Morte): Sexo quando é transmitido o HIV
Não uso camisinha por opção
Além deste grupo mais extremo, temos os que não usam camisinha
por opção. Segundo eles, seria uma tentativa de retirar o medo e
culpa que envolvem o sexo entre homossexuais. "Você deve usar camisinha
por opção, não por imposição", foi lido em um chat com um praticante.
O bareback seria então uma alternativa, uma filosofia da forma como
encarar o sexo, cabendo somente a negociação entre os parceiros
o uso da camisinha. Há grupos fechados de praticantes do bareback
que são extremamente rigorosos a exames de HIV e outras DSTs (doenças sexualmente transmíssiveis. Este
grupo não pretende e nem quer contrair o vírus do HIV, tomando todos
os cuidados possíveis para que a doença não contamine o grupo. Desta
forma os integrantes sentem-se mais seguros até do que usando camisinha
com parceiros eventuais.
Há ainda um outro grupo de praticantes do bareback, que o fazem
por considerar a camisinha algo desconfortável ou porque tira a
"intimidade" da relação. Na realidade as camisinhas atualmente comercializadas
não são projetadas para o sexo anal e muito menos para sexo anal
entre dois homens. Com isto, além delas pressionaram de forma desconfortável
o pênis não permitem o uso de lubrificantes a base de óleo e diminuem
a sensibilidade muito mais do que no sexo vaginal.
O que se fala atualmente é que a prática do bareback não está ligada
a imoralidade, perversão, irresponsabilidade,... Ela está ligada
diretamente a uma opção. É claro que durante anos, os movimentos
homossexuais lutaram para retirar o estigma de "transmissores de
AIDS" e que a prática do bareback irá aumentar o número de pessoas
infectadas. Mas este movimento traz a necessidade de produtos mais
adequados a um ato sexual mais prazeroso entre dois homens e a necessidade
de intensificar as campanhas de esclarecimento.
P.S.: eu uso camisinha e pretendo continuar usando.
Francisco Luiz
Editor Chefe FERVO.com.br
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