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FERVO - MÚSICA - Modelos, celebridades, anônimos e ex-BBB's: todos querem virar DJ

/ música

26/03/2010 - 21h00
Agora vou virar DJ!
Modelos, celebridades, anônimos e ex-BBB's: todos querem virar DJ

Desde que os discos de vinil sumiram das prateleiras – mais ou menos em 1995 – a profissão de DJ tem sofrido grandes transformações em velocidade cada vez mais acelerada. A tecnologia, moldada em equipamentos cada vez mais sofisticados, se sobrepõe à técnica tornando a esmagadora maioria dos DJs que surgem no mercado apenas coadjuvantes das máquinas. Novos candidatos a comandar a cabine de som surgem aos montes e, incentivados pelas facilidades tecnológicas, reduzem a essência da profissão a acumular CDs e apertar botões, distanciando-se cada vez mais dos requisitos básicos indispensáveis a um verdadeiro DJ: técnica, criatividade e feeling.

No tempo em que pra ser um DJ era preciso dominar dois toca-discos de vinil 12 polegadas, o buraco era mais embaixo, ou melhor, mais no meio! Era fato incontestável: se você não sabia manobrar um toca-discos, você não era DJ! E a dificuldade da profissão não estava só no manuseio dos equipamentos; sem a facilidade da internet, montar o repertório era igualmente complicado: precisava estar atento, ler e assistir tudo o que podia sobre o mundo dos DJs e escutar tudo o que era programa de rádio; mas ainda tinha o mais difícil: saber onde comprar os discos. Precisava ter bons contatos numa loja, ou conhecer alguém que viajasse constantemente pra grandes centros - ou pra fora do país - e que pudesse lhe trazer os lançamentos. Nem é preciso dizer que se gastava uma boa grana comprando material né?




Dj Pido em sua primeira escola para Dj's - 1994


Hoje é tudo mais fácil! E põe mais fácil nisso! Basta sentar em frente a um computador, acessar a internet, copiar uns playlists de DJs famosos, fazer o download das faixas e pronto! Você já virou dj – e com repertório super atualizado, gastando uma merreca... Quase de graça! Pergunte-se: Há quanto tempo você não compra um CD na loja? Ok, alguns irão dizer: Mas, e a técnica? Pra ser DJ é preciso saber fazer mixagem(1), né? Não! Não mais! Hoje os equipamentos como CD players e mixers(2) são verdadeiros estúdios portáteis que praticamente fazem o serviço sozinhos: calculam o BPM(3) das músicas e mostram o melhor ponto de mixagem - sem falar nos programas de computador que fazem as viradas automaticamente! E os efeitos? Como ficou fácil incrementar as faixas que são tocadas! No tempo em que os discos de vinil imperavam, o DJ tinha de inventar ao vivo em cima das músicas, criando viradas e novas sonoridades com os próprios discos. Efeitos sonoros (como eco, por exemplo) só eram conseguidos em estúdio ou com dispositivos acoplados. Hoje há uma infinidade de efeitos embutidos nos equipamentos utilizados pelos DJs e para acessá-los basta apertar um botãozinho... Ô beleza!

Quando comecei a me interessar pela discotecagem, (meados 1989) eu olhava um DJ trabalhando e pensava: “Nossa, isso é muito complicado! Tem de ter a manha do negócio!” (tenho certeza que uma porrada de DJs que começaram na mesma época tiveram a mesma impressão). As dificuldades impostas pela profissão eram o filtro natural, a gigante barreira invisível que mantinha os aventureiros longe da cabine de som. Ninguém ia comprar um par de pick-ups(4) e gastar uma fortuna com discos pra fazer feio numa festa ou numa balada... Até porque, DJs iniciantes só subiam numa cabine quando indicados por profissionais experientes. Naquela época era muito comum ouvir comentários do tipo: “Nossa? Você gasta tudo isso com discos? Você carrega todos esses discos pra cima e pra baixo? Tem que gostar muito pra ter todo esse trabalho!”.

Hoje, o equivalente à uma prateleira carregada de discos de vinil pode ser levado dentro de um laptop, ou mesmo em um punhado de CDs gravados no formato mp3. Marcas especializadas em áudio investem cada vez mais nos dispositivos para DJs, compactando, digitalizando e automatizando os equipamentos no intuito de facilitar a vida do profissional da cabine de som, fazendo com que muitos pensem que “qualquer um pode ser DJ”. Nos dias de hoje - na maioria das vezes - o que se vê é simplesmente um carinha atrás de uma parafernália automatizada, com luzinhas piscando e um monte de botõezinhos pra apertar; daí vem o raciocínio: basta saber pra que serve cada botão e tá feito! Já virou um dj!

Essa noção errada de que “é fácil ser um disc jockey”, acaba por modificar o perfil dos profissionais dentro da cabine de som: Lembra do que eu disse antes que, pra ter efeitos nas músicas que tocava o DJ precisava criar com os próprios discos ao vivo? Então, esses disc jockeys eram chamados performáticos. Hoje, com toda a automatização dos equipamentos, DJ performático é aquele que vai pra trás dos aparelhos, bate palminha, rebola, pula, grita, assobia, faz carão usando leques, troca de peruca, usa boné que pisca, assopra línguas de sogra, toca buzinas de gás, sobe na mesa de som, fica pelado, joga serpentina na galera... Enfim, como diz um amigo meu: DJ performático hoje é aquele que engole fogo e peida fumaça.

A grande maioria passa longe dos princípios básicos pra ser um bom DJ como dominar a técnica e mixar com precisão, saber escolher o repertório, respeitar os limites e regras de cada casa noturna, ter sensibilidade – feeling – pra sentir a pista de dança e saber onde e quando as suas músicas vão agradar. Claro que, no meio dessa montoeira de disc jockeys que surge a cada dia, há os que fazem jus ao título de DJ. Profissionais de verdade que conquistam seu espaço fazendo um excelente trabalho atrás dos decks - sendo ou não performáticos. Mas não é sobre os que têm a profissão nas veias que trata esse texto, é sobre o resto - substantivo perfeito pra denominar essa turma.

É fato: o DJ é importante e chama a atenção por menor que seja a festa - ou casa noturna - onde toque. Quem está no comando do som é o destaque, é a atração da noite; o DJ é o motor da balada, é quem tem a foto impressa no flyer(5), é a alma da festa. Esse glamour impregnado à figura do disc jockey, aliado às facilidades tecnológicas, tem atraído gente de todo tipo e de tudo quanto é lugar pra dentro da cabine de som. Uma galera perdida nos seus mais diversos mundinhos: Os anônimos enxergam a cabine de som como um altar onde poderão ser adorados, reverenciados e reconhecidos. Os famosos tem a cabine de som como uma maneira de se manter na mídia ou de sair do marasmo da carreira; Todos (anônimos e famosos) com uma característica em comum: vêem a profissão de DJ apenas como um modo de aparecer!

Todo mundo quer ser DJ. Ser DJ tá na moda: Denise Fraga, Débora Secco, Adriane Galisteu, Daniele Suzuki, Bruno Gagliasso, Pedro Neschling, Fernanda Sousa... Toda essa tropa aí (e mais uma montoeira de gente famosa) anda “tirando onda” – e o lugar de verdadeiros profissionais - nas cabines. Não minto! Basta fazer uma busca na net com qualquer um desses nomes associados à sigla DJ e ver o resultado. Um lance engraçado é que, atores e atrizes ficam P da vida quando ex-BBBs aparecem nas novelas. Todo mundo fica bravinho, porque fulano ou beltrana não são atores e foram parar nas telinhas de pára-quedas, tirando espaço de um profissional. Mas e quando eles, atores e atrizes famosos, sobem numa cabine de som pra “ser dj”... Daí pode?




Alguns famosos "atacando de Dj's"


Por falar em Big Brothers, Disc Jockey já virou profissão de ex-BBB. O povo entra no programa e, quando sai, pra poder se manter em destaque: “vira dj”. Em 2003 foi o primeiro: um catarinense – puts, por que tinha de ser um conterrâneo? – Marcelo, que entrou como modelo fotográfico e saiu de lá como... Adivinhem?! Alguém viu o dj Marcelo tocando em algum lugar nos últimos anos?! Viu? Me avisa! Depois foi o Allan, lembra? Não né? Nem eu! Bom, mas ele foi o cara que pegou a Grasy. Ah! Agora sim! Lembrou dele né? Enfim, o gostosão entrou no programa Global com o mesmo título do brother citado anteriormente: modelo fotográfico. Assim que saiu do BBB, mudou a profissão pra namorado da Grasy; a moça ficou famosa e largou dele. Com a imagem cada vez mais apagada, Allan viu uma solução miraculosa pra se manter no meio do público: virou dj. Mas não existe mágica na cabine de som! Ou você é ou não é um disc jockey! O destaque do cara nas mixagens é minúsculo, e o título de DJ pra ele é secundário: prova disso é que, mesmo tendo participado do programa Global lá em 2005, até hoje, nos flyers das festas onde toca, não basta assinar apenas com o título de DJ, tem de constar que o cara é “ex-BBB”, se não: Quem é ele mesmo? E isso já virou vício! Parece até que a saída dos portões do BBB levam direto à cabine de som. Ex-modelos fotográficos ou não, o certo é que vez por outra tem ex big brothers – e sisters - “se descobrindo” nas cabines de som... Eu mereço!




Ex-BBBs "se descobrem" na cabine de som


Já que esse texto encostou no assunto “modelos fotográficos que viram dj”, não dá pra deixar de fora a blasfêmia que vem dos alto-falantes: Jesus Luz, atual namoradinho da Madonna. Quando começaram a falar dele, tratavam-no por modelo. Mas não é que o cara... Virou dj?! E o messias de fones de ouvido mal começou a sua carreira e já tem uma legião querendo crucificá-lo (se ele for canhoto, deixa que no prego da mão esquerda eu dou as marteladas!): Em uma apresentação numa conceituada casa do sul do país, Jesus Luz deixou muita gente indignada porque ele simplesmente fingia tocar. Enquanto o namoradinho da diva pop demonstrava perfeitamente o que é um DJ performático hoje em dia - pulando, subindo na mesa de som, batendo palminha e fazendo macaquices na cabine - tinha outro cara fazendo o trabalho de mixagem pra ele. Não diz o ditado que uma imagem vale mais que mil palavras?! Então confiram a foto:




Jesus Luz faz macaquices enquanto alguém faz o trabalho de DJ pra ele


Fato é que o público que foi à apresentação de Jesus Luz aqui no sul, estava lá não pra ouvir o som dele, mas sim pra ver de perto o cara que tá pegando a Madonna. A vergonha maior ficou pra casa noturna que fez o papelão de trazer uma “atração” destas. Mas tenho certeza que, como esse Jesus aí não faz milagres, logo logo ele vai estar tocando só pra Madonna... Se é que vocês me entendem!

Jesus Luz é o símbolo do paradoxo que tem ocorrido freqüentemente entre muitos disc jockeys de uns tempos pra cá: dedicação e cuidados extremos com o que o público vai ver e displicência total com o que o público vai ouvir. A quantidade de dj bombado circulando nas cabines, impressiona! Todos preocupadíssimos em ter braços torneados, tórax tipo “chester” e barriga sarada... Uma aparência atraente envolta numa trilha sonora entediante. Como residente, já fui anfitrião de várias dessas “beldades”, e não raras foram as vezes em que ouvi do público comentários do tipo: “ele é lindo e gostoso, mas o som dele é horrível”. Nesses casos eu sempre uso um ditado criado por mim: DJ muito gato, som muito chato. Não sei exatamente como se dá o processo de, digamos, nascimento desse tipo de dj; parece que eles se olham no espelho um dia e pensam: “Hmmm, to bonitão, saradão... Vou virar dj! A mulherada (ou a bicharada, dependendo da pista) vai adorar e eu vou ser sucesso!”. Seja como for que os músculos tenham crescido - na base do anabolizante ou da malhação - a verdade é que a grande maioria desses djs parrudinhos tem esquecido do primordial: o compromisso com o público e com a própria profissão. Ser bonito e sarado não são características que se sobreponham à técnica e ao feeling. Você pegaria um avião pilotado por um cara sem experiência, apenas porque ele é lindo? Tem disc jockey que o ponto alto de sua apresentação é o momento – patético – em que ele tira a camiseta, como se o fato de tocar com o corpo à mostra fosse melhorar a qualidade do que sai nos alto-falantes. O público pode até encher os olhos durante algum tempo, por estar vendo um corpo escultural na cabine, mas o povo está na pista de dança pra curtir e dançar, e sabe muito bem o que quer ouvir. Se o profissional atrás dos aparelhos de som não unir sua beleza a um bom repertório, ele se apaga em pouco tempo, porque músculos se adquire até com injeções; já a discotecagem não pode ser injetada, bebida, ou transplantada; a discotecagem é uma arte e é preciso ter dom para desenvolvê-la! Felizmente no final, são os profissionais que tem o verdadeiro DNA de DJ correndo nas veias que perduram por anos no comando de uma cabine!

E esse lance de sensualidade e apelo sexy dentre os djs não é exclusividade masculina. Outro dia estava assistindo um desses programetes vespertinos onde era abordado o tema “Mulheres que sofrem assédio na profissão”. Dentre as entrevistadas, uma “dj”, chamada Chris Miller. Relatava a moça que, após suas apresentações, as pessoas diziam coisas maliciosas, convidavam pra esticar a balada num motel e até mesmo já chegaram a perguntar qual era o cachê pra uma transa. Tudo isso só porque, nas apresentações da tal Chris, o clímax é quando ela: mostra os seios... Coitadinha! É pra rir né?! Por que uma mulher, que se diz DJ, e se sujeita a por os peitos à mostra pra ter um diferencial em sua apresentação, não tem de ir à TV reclamar de qualquer assédio ou grosseria que ouça! Na verdade, convenhamos: ela não estava em um programa televisivo pra expor nenhuma situação constrangedora da carreira; apenas vislumbrou uma chance de divulgar em rede nacional o que ela faz. Constrangedor é, para os verdadeiros profissionais da cabine de som, ter uma aberração dessas carregando o título de DJ.

Antes de escrever essa matéria, assisti no Youtube® uns vídeos da “dj top-less Chris Miller” (como ela sempre assina), e é visível que a moça e a profissão de DJ estão fora do compasso: ela mexe nos aparelhos sem propósito, ergue os braços, aponta pro céu e bate palminha, mas tudo muito forçado, artificial e sem atitude. A coitada é um peixe fora d’água sem carisma algum. O lance dela é, pura e simplesmente, mostrar os seios; e a própria sabe disso porque, sem o “top-less” na assinatura, ninguém vai saber quem ela é. Nem o diferencial dela na carreira de DJ é original: a gringa Niki Belucci – que ao menos demonstra mais molejo e habilidade na cabine - também tem como momento top de suas apresentações as peitchóla de fora. Digno de pena.




As djs que precisam dos seios à mostra pra tocar


Mas não é só com peitos de fora que se faz um som ruim! Tem um time de moças “Female djs” tocando pelo Brasil inteiro que, mesmo sem mostrar os seios, não deixa por menos: muito sensuais, com blusinhas curtíssimas, decotes provocantes, curvas estonteantes, lábios carnudos e brilhantes, mini-saias justíssimas, rebolados insinuantes, repertório meia boca e técnica medíocre. Um amigo meu, que é DJ profissional já ouviu e viu uma apresentação do time das ladies djs e me fez o seguinte comentário: - Elas não tocam p*rra nenhuma, mas são gostosas pra **ralho! Para os leigos, é normal; pra quem não liga ou não tá nem aí, pode ser engraçado; pra quem só quer ver umas mulheres bonitas, é excelente; mas pra quem é profissional, é revoltante e lastimável. O fato é que, seja o Jesus Luz, as moças e os moços dos peitos de fora, ou o time de gostosonas na cabine, o que leva o público para as apresentações dessas criaturas pode ser qualquer coisa... Menos a música!

Ter um belo corpo, um belo rosto, não é crime; ser feio – ou fora dos padrões de beleza – também não é pré-requisito pra ser DJ. Agora, se este ou aquele (esta ou aquela) DJ toca bem, tem um bom repertório, conduz bem a pista e, além disso, é bonito(a), tudo certo! Sorte deste profissional que vai ter algo a mais pra valorizar a carreira! Mas a natureza é perfeita, inclusive na profissão de DJ. Quando o disc jockey destaca-se pelo trabalho que faz, o fato de ser bonito ou ter um corpão se torna secundário. E se dermos uma breve olhada em alguns dos TOPs DJs do mundo, veremos que não é a beleza dos caras que os fazem ser quem eles são!




Os gringos




Os brazucas


Falando em TOP, esse é um TÓPico muito interessante dentro do universo da cabine de som. O que eu tenho visto por aí de “TOP DJ FULANO DE TAL” é uma loucura. Meu povo!? Vâmo mais devagar com o pitch(6)! Temos de ser coerentes: TOP são os DJs que viajam o mundo e tocam em casas reconhecidas globalmente com super cachês; Top são DJs que tocam em rádios de alcance nacional ou mundial; Top são os DJs que tem remixes oficiais em singles(7) de grandes artistas, como Beyoncé, Lady Gaga; Top são os DJs escolhidos para virar personagens em jogos de vídeo-game como DJ HERO; Top são DJs que abrem shows de turnês mundiais de cantoras como Madonna. Top, são DJs que tem todas, ou ao menos algumas, dessas qualidades citadas e fazem um bom som com uma boa técnica.

É muita pretensão, djs com 2, 3 ou 4 anos de carreira (às vezes menos que isso) denominando-se Top. Top, quer dizer topo, ponto mais alto, e não existem diferentes níveis; o topo é um só. Lógico, lá em cima, no lugar mais alto, existem vários DJs que, com mais ou menos destaque, se diferenciam entre si e – principalmente - de todo os outros, pelas características as quais acabei de citar. Se qualquer um se credencia como Top (aqui no Brasil ou em qualquer país), está se igualando a feras como DAVID GUETTA, BOB SINCLAIR, CHUKIE, VADÃO, RICARDO GUEDES, FLIPSIDE, JAZZY JEFF, FELIPE GUERRA, ALEX GAUDINO, EDSON PRIDE... Cada um tem de se por no seu lugar né? Quer chegar no topo? Começa a subir a montanha! De repente, uma solução pra essa montoeira de “topinho” que tem por aí, seria a criação de Tops por região; algo do tipo: “ZÉ RUÉLA... TOP DJ DO BAIRRO”.

Logo atrás do Top (claro, top é top né?), existem outros dois títulos que eu julgo muito interessantes: DJ REVELAÇÃO & GAROTO PRODÍGIO. Calma! DJ revelação não é um cara que toca em laboratórios fotográficos e garoto prodígio não é o DJ que toca fantasiado de amigo do “Bátima”. Ambos são títulos recorrentes dentre iniciantes que, na falta do que por em seus releases(8), usam e abusam desses termos. Profissionalmente, quando algum DJ é considerado como revelação, o título é dado por meio de eleição promovida por alguma revista, portal de internet, rádio, jornal ou mesmo por alguma casa noturna que tenha posto o disc jockey na cabine pela primeira vez. Assim, para que esse termo possa ser usado adequadamente, deveria seguir o exemplo: “fulano de tal, DJ revelação da casa noturna x” ou ainda “fulano de tal, considerado DJ revelação pela revista blá blá blá”... Mas, assim como o Top, o termo revelação é usado indiscriminadamente e é fácil de ser encontrado ao lado do nome de 9 entre 10 djs iniciantes. Já o título de garoto prodígio é uma incógnita pra mim – mas nem por isso deixa de ter sua carga cômica. O último espécime desses que eu conheci queimou alguns drivers de médio-agudo(9) na casa onde toco, levou de mim uns puxões de orelha na cabine e, mais tarde, a casa noturna onde ele residia fechou. Será que o prodígio voltou pra bat-caverna?

O certo é que, quando alguém se propõe a assumir qualquer profissão tem de levá-la a sério, seja bonita, bonito, feio, feia, forte, gordo ou magricela! É preciso ter responsabilidade e seriedade com o título de DJ. Onde o DJ está, há sempre uma festa; mas pra ele, por mais prazeroso se que seja, “tocar” vai ser sempre um trabalho! Deu pra sacar nesse texto que qualquer um pode querer “virar disc jockey” sem ter compromisso algum com a profissão, somente com o intuito de se destacar na mídia ou ganhar algum dinheiro. Promoters e donos de casas noturnas podem vislumbrar nesses “profissionais” uma chance de faturar mais ou de realizar alguma fantasia erótica, mas no final, na esmagadora maioria das vezes, o que fica é a decepção e a dor de ter dado um tiro no pé. Boa parte do público pode não notar, não ligar, pode achar normal e até interessante esses falsos disc jockeys.

Mas você aí, que está pronto a sair gritando que é dj, não se iluda! Profissionais de verdade vão sempre estar alerta, à espreita, vigiando e defendendo “a cabine de som”, que é o templo sagrado dos DJs.

Valeu, e até a próxima!


(1) – Mixagem: A essência do trabalho do dj; passagem de uma música pra outra
(2) – Mixer: Aparelho usado pra “misturar” as músicas
(3) – BPM: Sigla que significa Batidas Por Minuto
(4) – Pick-Up: Termo técnico usado pra denominar toca-discos (analógico ou digital)
(5) – Flyer: Panfleto de divulgação
(6) – Pitch: Dispositivo (encontrado em CD palyers e Toca discos) usado pra ajustar a velocidade das músicas.
(7) – Single: Disco lançado com uma música em várias versões diferentes
(8) – Release: Conjunto de informações destinado a divulgar este ou aquele profissional
(9) – Driver Médio-Agudo: Tipo de alto-falante destinado a tocar essas frequências

 



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